Inquietação na <em>Petrogal</em>
A posição da administração nas negociações salariais veio agravar as preocupações quanto ao futuro da refinação de petróleo, apesar das «palavras bonitas».
A inacção pode inviabilizar na prática a refinaria do Porto
A Comissão Central de Trabalhadores da Petrogal escreveu ao ministro da Economia, a dar-lhe conta da situação actual da situação na empresa, particularmente no que toca à refinaria de Leça (Porto), e das decisões aprovadas pelo pessoal em plenários recentes. Esperando «urgente intervenção governamental», a CCT quer ser recebida por Manuel Pinho.
Depois de recordar os traços fundamentais da ofensiva contra «a actividade fulcral de refinação», a CCT assinala que «actualmente, ninguém quer assumir o ataque à Petrogal». Nos últimos tempos, até Ferreira do Amaral, presidente do Conselho de Administração, se juntou aos que dizem que a empresa deve estar ao serviço do País e que o futuro da refinaria de Leça não está em causa, posição que «fez questão de vincar na última reunião com esta Comissão de Trabalhadores».
«Tais bonitas palavras, contudo, foram também acompanhadas de afirmações que põem em causa não só o futuro da refinaria de Leça, como da empresa em geral», acusa a CCT, revelando que, «para justificar a ausência de decisões que urge tomar», o presidente do CA da Galp Energia «proclama que “a empresa está sem estratégia” e que o futuro dela não se pode definir, dada “a instabilidade accionista que se arrasta”».
Sucede que «há decisões que, a não serem tomadas (particularmente no domínio das exigências ambientais que a legislação determina para o sector), impedirão objectivamente a laboração futura da refinaria de Leça», sublinha a CCT na carta ao ministro.
A estrutura representativa de todos os trabalhadores da Petrogal acrescenta que também o Comité de Gestão («subordinado» à multinacional ENI), a quem cabe propor as medidas necessárias, não apresentou à administração as soluções para assegurar o futuro da refinaria de Leça para além de 2008.
Para a CCT, a situação na Petrogal e Galp Energia é «inseparável da política de privatização» e demonstra que «a empresa não pode estar ao sabor de interesses privados» e que «o Estado, através do Governo, tem de assumir prontamente as decisões que urgem para assegurar o futuro».
A posição da administração nas negociações com os sindicatos «está a pôr em causa o direito à contratação, levando já a que os trabalhadores esteja a encarar a realização de greves», alerta ainda a Comissão Central de Trabalhadores.
Luta justa
«É justa e correcta a luta» desenvolvida para «a defesa de uma Petrogal integrada pelas suas diferentes áreas, coesa no seu funcionamento e modernizada através dos investimentos necessários», afirma-se na moção aprovada em plenários, nas refinarias do Porto e de Sines e na sede, em Lisboa, nos dias 17 e 22 de Março. A prová-lo, os trabalhadores apontam os resultados da empresa em 2003 e 2004, nomeadamente:
- a actividade petrolífera representa 70 por cento dos lucros da Galp Energia em 2004, sendo que na refinaria do Porto foram cinco vezes superiores aos do ano anterior e na refinaria de Sines quase duplicaram;
- o «incontornável papel estratégico» da empresa para o País, acentuado pelo contributo para os cofres do Estado (só o imposto sobre produtos petrolíferos em 2004 situou-se nos 380 milhões de contos ou 1900 milhões de euros);
- os resultados líquidos foram de 247 milhões de euros em 2003 e de 333 milhões de euros em 2004;
- a produtividade por trabalhador mais do que duplicou no último ano.
«É igualmente legítima a luta por uma política de gestão e de recursos humanos séria e responsável», mas «é inteiramente inaceitável» que os administradores, nas negociações salariais em curso, queiram «aplicar mais uma vez uma política de contenção salarial que os trabalhadores não merecem e que a administração não tem legitimidade moral para impor», protesta-se na moção.
Os sindicatos ficaram mandatados para procurarem obter um acordo «que contemple as principais reivindicações dos trabalhadores, incluindo uma remuneração suplementar que complemente, também, a insuficiente distribuição de lucros em 2003». O mandato abrange ainda a decisão sobre «medidas e acções de luta» que sejam necessárias, «devendo desde já ser considerada a exigência dos trabalhadores quanto a ser decretada a greve», caso a administração não altere as suas posições.
Depois de recordar os traços fundamentais da ofensiva contra «a actividade fulcral de refinação», a CCT assinala que «actualmente, ninguém quer assumir o ataque à Petrogal». Nos últimos tempos, até Ferreira do Amaral, presidente do Conselho de Administração, se juntou aos que dizem que a empresa deve estar ao serviço do País e que o futuro da refinaria de Leça não está em causa, posição que «fez questão de vincar na última reunião com esta Comissão de Trabalhadores».
«Tais bonitas palavras, contudo, foram também acompanhadas de afirmações que põem em causa não só o futuro da refinaria de Leça, como da empresa em geral», acusa a CCT, revelando que, «para justificar a ausência de decisões que urge tomar», o presidente do CA da Galp Energia «proclama que “a empresa está sem estratégia” e que o futuro dela não se pode definir, dada “a instabilidade accionista que se arrasta”».
Sucede que «há decisões que, a não serem tomadas (particularmente no domínio das exigências ambientais que a legislação determina para o sector), impedirão objectivamente a laboração futura da refinaria de Leça», sublinha a CCT na carta ao ministro.
A estrutura representativa de todos os trabalhadores da Petrogal acrescenta que também o Comité de Gestão («subordinado» à multinacional ENI), a quem cabe propor as medidas necessárias, não apresentou à administração as soluções para assegurar o futuro da refinaria de Leça para além de 2008.
Para a CCT, a situação na Petrogal e Galp Energia é «inseparável da política de privatização» e demonstra que «a empresa não pode estar ao sabor de interesses privados» e que «o Estado, através do Governo, tem de assumir prontamente as decisões que urgem para assegurar o futuro».
A posição da administração nas negociações com os sindicatos «está a pôr em causa o direito à contratação, levando já a que os trabalhadores esteja a encarar a realização de greves», alerta ainda a Comissão Central de Trabalhadores.
Luta justa
«É justa e correcta a luta» desenvolvida para «a defesa de uma Petrogal integrada pelas suas diferentes áreas, coesa no seu funcionamento e modernizada através dos investimentos necessários», afirma-se na moção aprovada em plenários, nas refinarias do Porto e de Sines e na sede, em Lisboa, nos dias 17 e 22 de Março. A prová-lo, os trabalhadores apontam os resultados da empresa em 2003 e 2004, nomeadamente:
- a actividade petrolífera representa 70 por cento dos lucros da Galp Energia em 2004, sendo que na refinaria do Porto foram cinco vezes superiores aos do ano anterior e na refinaria de Sines quase duplicaram;
- o «incontornável papel estratégico» da empresa para o País, acentuado pelo contributo para os cofres do Estado (só o imposto sobre produtos petrolíferos em 2004 situou-se nos 380 milhões de contos ou 1900 milhões de euros);
- os resultados líquidos foram de 247 milhões de euros em 2003 e de 333 milhões de euros em 2004;
- a produtividade por trabalhador mais do que duplicou no último ano.
«É igualmente legítima a luta por uma política de gestão e de recursos humanos séria e responsável», mas «é inteiramente inaceitável» que os administradores, nas negociações salariais em curso, queiram «aplicar mais uma vez uma política de contenção salarial que os trabalhadores não merecem e que a administração não tem legitimidade moral para impor», protesta-se na moção.
Os sindicatos ficaram mandatados para procurarem obter um acordo «que contemple as principais reivindicações dos trabalhadores, incluindo uma remuneração suplementar que complemente, também, a insuficiente distribuição de lucros em 2003». O mandato abrange ainda a decisão sobre «medidas e acções de luta» que sejam necessárias, «devendo desde já ser considerada a exigência dos trabalhadores quanto a ser decretada a greve», caso a administração não altere as suas posições.